terça-feira, 31 de julho de 2007

As coisas estão em movimento

Desde que eu escrevi aqui pela última vez, transcorreram alguns meses. Eu andei escrevendo bastante no meu diário físico, onde posso desenhar também. Hoje deu vontade de escrever aqui de novo.
Coisas novas que aconteceram na minha vida:
- recebi a bolsa da CAPES. Agora tenho uma certa "pressão" para acelerar as pesquisas do doutorado, pois teoricamente tenho que estar com as coisas prontas em até três anos, a partir de outubro deste ano.
- fui visitar meus pais em Lisboa e percebi que a relação com eles está muito mais livre. Foi muito bom vê-los bem-humorados e de bem com a vida. Me senti mais a vontade dentro da minha família. Senti que dos dois lados, há um respeito maior... mais do que isso, senti aceitação. Eu não quero mais tanto mudá-los e eles também não querem tanto me mudar. Interessante como tudo muda quando a gente desiste de controlar.
- em compensação, minha auto-estima em relação ao Marco está no subsolo. Depois que conversamos repetidas e cansativas vezes sobre a minha vontade de procurar outro lugar para morar, na tentativa de me libertar dos ciúmes e dar mais espaço para ele, algumas coisas mudaram entre nós. O medo, a insegurança, o sentimento de rejeição, a auto-piedade, que nunca foram um tema para mim, materializaram-se como monstros. Me sinto fraca dentro do relacionamento, me sinto pequena, mesquinha. Comecei a pesquisar mais o que significa este ciúme, de onde ele surge. Queria tanto saber do que eu na verdade tenho medo? O tema de desistir da "Be-Ziehung" está muito presente.
- comecei a tomar florais para combater o medo. Sinto que outra forma de combater é começar a fazer esporte. Nos últimos seis meses, fiz bem pouco. Nesse ponto (e em muitos outros) me sinto estagnada.
- o tempo todo tenho a sensação de entender tudo e não entender nada ao mesmo tempo. É como se as respostas para minhas dúvidas e sofrimentos estivessem dentro de mim, mas muito melecadas e atrofiadas por tantas mentiras e fachadas. Sinto que é preciso desistir de muitas coisas para poder limpar o campo e deixar a verdade que sempre existiu respirar.
- hoje, a coisa da qual eu mais tenho medo de desistir é do meu amor pelo Marco. O olho molha só de pensar em deixar... mas algo me leva a crer que justamente por ter tanto medo é que esse assunto não vai se diluir assim tão rápido no ar. Há muita coisa para desvendar aqui. Parece que essa é a minha provação. Me dói falar assim do meu amor por ele... parece que aquilo que parecia certo, quieto, tranqüilo como a água de um lago límpido, agora está sob uma tempestade torrencial... é como se a vida tivesse colocando o meu amor à prova. Não a vida, mas eu mesma.