sábado, 19 de julho de 2008

Altstadtfest

Hoje a cidade está movimentada. Pela janela da sala eu ouço o burburinho das conversas, os gritos das crianças, o tirlintar dos copos, as músicas das bandas. O cheiro de churrasco e uma fumaça fina dominam a cidade - que está em clima de festa. É a Altstadtfest. Muita cerveja, muita comida, muita conversa para jogar fora, muita paquera, muita agitação. Para a sorte dos entusiastas, o dia é de céu azul, sol e temperatura amena.

Ao caminhar pela cidade e ver tanta gente na praça central eu fiquei feliz de só estar de passagem. Normalmente eu ficaria incomodada com tanta muvuca, mas dessa vez não: eu fui passando pelas pessoas e deixando a situação agir sobre mim sem oferecer resistência. Uma sensação diferente me assaltou, era como se nada daquilo fizesse parte do mundo real. Parecia tudo o cenário de um filme. Me chamaram a atenção as crianças apostando corrida com sorvete na mão e um cantor de uma banda de jazz em cima de um carro do tipo trio-elétrico. O rapaz era novinho e magrelo, mas tinha uma voz de homem. Me deu a impressão de que ele era mais real do que as outras pessoas. Não era só a voz dele: era toda a posição do corpo, o olhar e principalmente a sua atitude. Parecia que ele estava contente de estar ali cantando. Havia toda uma harmonia entre a música, a voz dele e a festa. Fiquei olhando para ele até o fim da música.

E segui para o jardim Oberdieck com o intuito de fotografá-lo para colocar no meu outro blog. Chegando lá, a atmosfera era outra. Uma cidade tranqüila, como num sábado qualquer. Algumas famílias passeavam com crianças pequenas, um ou dois casais de namorados. Aproveitando a luz do fim da tarde, tirei inúmeras fotos. Fiquei lá por volta de uma hora redescobrindo eixos, cheirando as flores, reconstruindo e emoldurando perspectivas através do visor da câmera. Percebi coisas novas que não tinha notado quando fiz a análise do jardim. Vou completar o texto com o que eu vi hoje.

Ao voltar para casa, passei de novo pela Altstadtfest. Dessa vez o volume da festa pareceu estar mais alto. Acho que é porque tinha mais gente. E também porque eu estava mais aberta e sensibilizada depois do meu passeio pelo jardim Oberdieck.

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