Sim, é assim que me sinto na presença do P.: acariciada por olhos doces, zelosos e amigos. Ele concentra tanta generosidade no seu jeito de falar e nos seus gestos e atos, que até destoa de várias outras coisas que conheço do meu dia-a-dia na Lehrstuhl: pressa, impaciência, dureza, mau-humor.
Fui convidada hoje para jantar na casa dele, juntamente com S., D. e M.
Ele e A. cozinharam. Comida simples: sem sal, só o gosto dos alimentos com acentos de temperos diferentes. Muito delicioso. Tudo feito com amor e muita paciência.
As conversas: fluidas e descompromissadas. Mas não eram "small talk". Eram o produto de pensamentos e sentimentos que estavam surgindo naquele exato momento: ninguém estava repetindo nenhum script. Todos estavam criando, compartilhando seus insights.
Raramente eu me sinto bem num grupo maior de pessoas. Normalmente a superficialidade das conversas me machuca. É difícil para mim relaxar quando todos falam sem ser de dentro. As conversas mortas, que não têm inputs autênticos, me incomodam.
Mas hoje eu me senti em casa. Em casa na minha própria pele, nessa mesa com pessoas agradáveis e comidas feitas com carinho e cuidado. Não falamos nada de novo e inteligente, mas aquilo que falamos, era verdadeiro.
Se o paraíso existisse e você pudesse compartilhá-lo com pessoas que você gosta, haveriam momentos assim.
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