sexta-feira, 4 de julho de 2008

Confusão... e uma ponta de inspiração

Hoje me senti o dia todo confusa. Acordei mais tarde do que o normal e já sabia que não queria ir para a Lehrstuhl. A minha idéia era trabalhar em casa. Arrumei o meu quarto e a cozinha. Tomei café sem me concentrar direito no que eu estava comendo. Então fui até o computador e comecei a procurar passagens para Z. Os preços todos estavam muito altos. Falei no Skype com a minha amiga que gostaria de ir também para a Expo e disse que o preço da passagem estava mais alto do que eu estava disposta a pagar. Depois de idas e vindas, percebi que não valia a pena irmos para Z. Então eu sugeri L., que é um dos meus estudos de caso. Ao sugerir isso, eu percebi claramente que fazia muito mais sentido para mim ir para L. do que para Z. Ela também gostou da idéia.
Então entrei em todos os sites de companhias aéreas possíveis em busca dos melhores preços de passagens. "Perdi" algo em torno de duas horas com o processo de pesquisa e decisão. Isso me deixou irritada, mas depois de comprar as passagens e receber a confirmação, eu me senti aliviada. "Uma coisa feita até o final", pensei. Ou quase. Para completar eu entrei no site do Hospitality Club e contactei algumas pessoas em busca de um lugar para dormir. A passagem para L. não ficou barata, de modo que pagar 6 dias de hospedagem seria muito pesado. A alternativa do HC é relativamente arriscada - pois tive uma experiência ruim em P., mas mesmo assim arrisquei. Já recebi resposta e está tudo combinado.

Então comecei a planejar por onde começaria a trabalhar no meu doutorado - já era mais de meio-dia e eu não estava com a mínima fome. Li coisas diversas e não consegui me aprofundar em nada. Me perdi em inúmeros sites. Várias coisas que me interessaram, mas que eu só consegui tocar superficialmente. Não logrei fazer a conexão entre as diversas idéias, tamanho o meu estado de confusão. Não me senti trabalhando, me senti praticando o mais puro ato de procrastinação. Confusão e culpa.

Mais tarde falei com a R. e a minha mãe no Skype. A alegria e a leveza das duas me tirou um pouco do peso da minha confusão mental - pelo menos aparentemente. Conversar com elas me fez lembrar que, se eu estou num dia improdutivo, então não adianta eu me violentar com o sentimento de culpa. A melhor coisa que eu tenho a fazer é sair de casa e ir passear. Pegar um ar fresco. Mas não fiz isso, continuei no computador, pois o L. me contactou. Falamos pelo áudio.
Ele está em NY, preparando uma exposição para a ONU. Ele me deu notícias da T. - que vai vir morar na F. a partir de Setembro. Segundo ele, ela teve seu portfólio aceito em dois renomados escritórios internacionais: Jean Nouvel e Renzo Piano. Uau, nossa! Esses são nomes que a gente sempre ouve de livros e documentários! Parace um sonho, pensei.
Como sou deslumbrada. Que mania minha colocar as "personalidades" da arquitetura num pedestal, como se fossem deuses inatingíveis e eu uma pobre mortal. Sou o Zé Ninguém do Reich.

Às 18h fui para a cozinha e fiz uma salada para mim. Bem grande, bem temperada. Tentei ser mais generosa comigo mesma e parar de ficar me culpando por ter tido um dia tão improdutivo. Durante o jantar eu fiquei pensando se eu estava sendo muito mole com a minha vida profissional... me comparei com a T., que continuou trabalhando duro como arquiteta e conseguiu montar um portfolio bacana - agora ela está sendo chamada para entrevistas em escritórios renomados. E eu? Eu estou aqui há um ano e meio e ainda não tenho o rumo certo do que quero fazer com esse doutorado. De vez em quando eu sinto o cheiro do que eu quero fazer, mas na maior parte do tempo eu me sinto perdida no escuro. Me sinto tateando coisas superficialmente, sem conseguir estruturar os pensamentos e interrelacionar as idéias. E faz muito tempo que estou nesse ponto!!!

Depois da salada, sentei de novo em frente ao computador e achei o site de um arquiteto dinamarquês que me abriu um caminho nesse dia tão bagunçado.

Jan Gehl: ele fala sobre "usable urban design" ou seja, o desenho urbano feito para o usuário, para as pessoas. É tão óbvio! Porque alguém desenharia um espaço público que não é feito para o ser humano? Ouvi uma de suas palestras e fiz algumas anotações. Ele fala: "I have to feel I arrived in a PLACE I like. I am here. I don't have to go further to other places. I can stay here and enjoy, because I feel good here", "if you do it the right way, people can't resist these places". Como é simples. Como é óbvio. Através dessas frases eu reestabeleci contato com o que me interessa nesse doutorado: pesquisar as ferramentas necessárias para projetar espaços urbanos à beira-rio que sejam agradáveis para o ser humano.

Na útlima conversa que tive com o Peter, falamos sobre "Planungsmethodik". Sim, isso é importante. Mas o que me interessa são os elementos com os quais eu posso projetar um determinado espaço de forma que ele seja feito para o homem.


Nenhum comentário: