Eu percebi ontem, várias vezes durante o dia, o quanto fala alto uma voz dentro da minha cabeça num tom de repreensão e desaprovação. Essa voz não permite que eu confie nas minhas próprias sensações. Ela é um condicionamento.
Ontem durante a apresentação dos alunos eu percebi que vários comentários que o P. fez eram similares aos comentários que eu tinha feito durante as orientações dos alunos. O que me mostrou que muitas vezes durante as orientações dos trabalhos, eu não conseguia me colocar com clareza - por dois motivos: porque eu ainda não sei dizer com franqueza o que eu penso e porque a C., que sabe articular-se muito melhor do que eu, várias vezes contrariou meus comentários num tom de sabotagem.
Nas apresentações eu senti que as minhas sensações perante os projetos batia com as do P. em vários pontos - o que me fez pensar "porque eu não falei de forma mais clara e veemente com os alunos enquanto ainda era tempo?". Quando você deixa passar o momento certo, então já ficou para trás... você perdeu a chance.
Eu não consigo me colocar e me articular porque eu não confio nas minhas próprias sensações. Se eu não confio nelas, então obviamente, ninguém pode confiar. E isso independe do fato de eu ter uma colega de trabalho competitiva, que só está interessada em poder e força.
Sim, é mais fácil expressar-se num contexto que é aberto e generoso. Mas o fato do contexto ser duro e competitivo não deveria ser obstáculo para eu perceber minhas sensações diante dos trabalhos, e, confiar nelas.
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