quinta-feira, 3 de julho de 2008

Hochschulkonzert - a experiência de estar nu perante a platéia

Ontem a noite foi o nosso Hochshulkonzert. Toquei na orquestra e toquei como solista uma peça de Vivaldi com o A. ao piano. Foi interessante perceber a diferença brutal para mim entre as duas situações: a situação em que eu era um elemento da orquestra e a situação em que eu era a solista. Numa situação eu podia me sentir segura atrás de um grupo. Na outra, eu estava nu. Completamente nu. Era o momento de me mostrar, de mostrar toda a minha fragilidade, toda a minha força.
No primeiro movimento eu estava bastante nervosa. Precisei dos primeiros cinco minutos do Allegro para ter meus batimentos cardíacos acalmados. Tive problemas de afinação em pontos-chave, que normalmente não tenho quando estou tocando em casa. Mesmo assim, prossegui e fiz o melhor que eu podia no nível de nervosismo que eu estava. O segundo e o terceiro movimento foram mais fluidos, mais livres. Vesti o papel de solista a partir do segundo movimento. Estava então confortável na minha própria pele. Como foi bom me sentir natural, sem medo.

Já no momento dos aplausos eu me senti estranha. Agradeci. Como as pessoas não paravam de aplaudir, eu fui ficando com vergonha. Foi meio destrambelhado o meu jeito de agradecer.

Depois do concerto várias pessoas vieram me parabenizar. Impressionante como eu precisei o tempo todo explicar que alguns pontos não correram exatamente como o previsto, que eu estava muito nervosa, que eu toco melhor quando estou em casa... blá, blá, blá. O meu perfeccionismo ataca novamente. Eu fico apenas observando.

Foi uma experiência interessante e muito forte. Espero poder repetí-la.

Tive vários sonhos essa noite, mas não consigo me lembrar de nenhum deles.

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