sábado, 5 de julho de 2008

Meus buracos negros

Hoje eu falei muito. Pensei também, mas falei mais do que pensei. Troquei várias idéias e pensamentos com o M. Me debati com os dilemas do meu doutorado e me confrontei com o fato de que eu não faço a mínima idéia do meu objetivo com esse trabalho. Os objetivos que "defendo" são instáveis e volúveis, pois eu os fabrico artificialmente: eles não saíram de dentro de mim.

Não tenho vontade de escrever aqui longamente, pois ainda preciso de tempo para as coisas serem digeridas. Mas aqui alguns pontos que hoje me foram espelhados com mais clareza:

- Eu tenho uma tendência a ser megalomaníaca e narcisista. Me dislumbro facilmente com visões grandiosas que eu crio na minha cabeça. Eu crio fantasias positivas sobre o futuro e quero que elas se tornem reais e tomem corpo. Eu estabeleço metas utópicas acreditando dessa forma poder evitar situações difíceis, nas quais eu teria a necessidade de me esforçar e assumir os riscos de um fracasso.

- Para não precisar mergulhar profundamente em nada, eu tenho múltiplos interesses e busco novas fontes de informação indiscriminadamente. Freqüêntemente tenho um comportamento impulsivo, rebelde, diletante. Tenho dificuldades de executar uma coisa até o final. Sou boa em começar, mas tenho dificuldades em concluir. Tenho medo do processo. Tenho medo de precisar fazer as coisas devagar, passo-a-passo.

- Freqüêntemente eu misturo o que eu sou com o que eu queria ser. Eu tenho uma imagem na minha cabeça do que a Daniela "deveria ser". Baseada nessa imagem, eu tenho a tendência de rejeitar os meus verdadeiros desejos - pois eles raramente correspondem à idéia do que a Daniela "deveria ser".

- Isso faz com eu viva sempre no futuro, correndo atrás de uma felicidade e uma paz que está lá na frente, num futuro longínquo. Com isso, eu tenho dificuldade de cumprir as tarefas mais simples e ordinárias do cotidiano como tomar café-da-manhã com calma, beber água quando estou em frente ao computador ou molhar as plantas todas as manhãs.

- O mecanismo de tentar ser diferente daquilo que eu sou me leva a interpretar um papel, que é contrário àquilo que eu sou. Um dos meus maiores medos é que as outras pessoas percebam as minhas farsas e as minhas fraquezas.

- Isso me leva ao próximo ponto. Ter uma imagem para o que a Daniela "deveria ser" reside na crença de que a Daniela deveria ser diferente daquilo que ela realmente é. Tal crença tem origem na idéia de que se a Daniela for o que ela
realmente é, as outras pessoas não vão gostar dela.

- O medo de não ser amada me leva a freqüêntemente colocar as necessidades e os desejos de outras pessoas em primeiro lugar e a me esquecer daquilo que é importante para mim. Esse mecanismo faz com que eu fique confusa e exausta. E eu não sei mais o que eu quero e onde eu fico.


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