terça-feira, 15 de julho de 2008

O ciúme

O ciúme é aquela dor que dá quando percebemos que a pessoa amada pode ser feliz sem a gente. Rubens Alves


Eu fui com a L. ontem a noite pegar a chave de casa com o M. Entramos e sentamos para tomar um chá. Quando eu vi o brilho nos olhos do M., elogiando a L. por realizar seu trabalho com tanto prazer, afinco e naturalidade, eu senti ciúmes. Senti ciúmes porque ela está conseguindo fazer justamente aquilo que eu não estou: está feliz e satisfeita com o próprio trabalho.
Além disso, fiquei enciumada porque ela é uma mulher atraente e percebi que o M. claramente ficou atraído por ela.

E depois o ciúmes se transformou em raiva, quando ele falou mal do B. Eu levei isso para o lado pessoal. Na hora foi como se eu tivesse levado um soco no estômago. Não pude fazer nenhum comentário, fiquei apenas inerte e ferida.

Eu não entendo agora porque eu me senti tão ameaçada com os seus comentários. Ele estava apenas sendo sincero e falando o que sentia/pensava. Mas eu não tive chances de reagir contra essa emoção tão desconfortável... quando eu percebi, eu já estava me sentindo completamente rejeitada como mulher, como arquiteta e como brasileira. E perante mim, eu vi outra pessoa sendo valorizada como mulher e como profissional.

É absolutamente ilógico eu me comparar com os outros... mas eu percebo que eu faço isso o tempo todo. É um condicionamento muito antigo. Antes de tudo, a idéia do outro entra na minha cabeça. E assim, eu não permito a minha própria seiva fluir, eu não permito a minha própria felicidade brotar, eu não permito o meu próprio ser florescer. E eu me sinto vazia no meu íntimo, e então eu olho para o exterior das outras pessoas e me comparo e acho que todos são mais bem-resolvidos que eu.
Eu continuo baseando o valor que eu tenho no que os outros pensam.
Eu estou sempre olhando para fora.

Se eu pudesse parar de me comparar... talvez a minha mediocridade desse lugar para os meus tesouros íntimos florescerem.

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