domingo, 13 de julho de 2008

O meu condicionamento de querer fazer tudo ao mesmo tempo

Acabei de chegar da minha viagem para o Südtirol. Estou cansada e por isso não tenho a pretensão de escrever detalhadamente. Alguns pontos que eu percebi esse fim de semana, e que eu quero explorar com mais cuidado num outro momento:

- no carro, indo de carona para B., eu não senti necessidade de agradar o B. - um amigo do meu primo A. com quem eu já fui para o ST algumas vezes. Normalmente eu ouviria uma voz dentro da minha cabeça me falando para ser gentil e agradável, com o propósito de agradecer o favor que a outra pessoa está fazendo. Só que essa voz não falou. Ela ficou quietinha. Senti uma grande sensatez de não ter que desperdiçar a minha energia com qualquer coisa que não fosse natural.

- chegando no ST, o B. foi levar a namorada, que viajou com a gente, para a casa dela, antes de seguirmos para B. Lá fomos convidados pela família dela a sentar para comer um Apfelstrudel e tomar um café. Eu estava tão distraída que eu não disse que não tomava café. Eu tomei o café e comi o bolo. As duas coisas estavam boas. Depois eu fiquei pensando porque eu não disse que eu não tomava café? Curioso é que eu não me senti passando por cima de mim mesma. Pelo contrário, estava aberta. Só que aberta e distraída não combinam... ou eu estava aberta ou eu estava distraída. Não sei ao certo qual dos dois.

- ao encontrar minha vó ficamos as duas felizes. Ela me abraçou com grande ternura. Ela está cada ano menor e está perdendo o que eu sempre vi como dureza e rigor, mas também como estabilidade e força. Parece-me que alguns cantos dela estão ficando mais redondos do que era o costume. Durante o fim-de-semana tivemos de tudo: momentos em que ela falava no imperativo e dizia como era para eu fazer (o que eu diria que é o "típico"), momentos em que ela me perguntava como eu preferia fazer, momentos em que ela me criticava e momentos em que ela me agradava. Isso não interessa escrever aqui. Mas o que interessa é que não fazia muita diferença para mim se ela era de um jeito ou de outro.
Numa conversa na sexta-feira a noite, foi interessante perceber que eu falei sobre meus pensamentos sem me importar se ela era a minha avó, a minha amiga de colégio, a atendente do banco ou uma criança. Nesse momento percebi que não só eu, mas ela também me tratou de uma maneira impessoal. Só que esta impessoalidade possibilitou um contato muito íntimo entre a gente. Foi o momento mais valioso para mim durante todo o fim de semana.

- a S. e um amigo dela vieram me visitar em B. Eu imaginava a hora que eles iriam chegar no sábado a noite, mas não tinha certeza. Tentei contactá-los sem sucesso e imaginei que eles tinham desistido da viagem. Foi quando consegui falar com a S. pelo celular e ela disse que tinha acabado de chegar na casa do meu primo. E então eu fui encontrá-los. Fiquei um pouco desconfortável com a situação, tanto com a C., que não sabia da chegada deles (pois eu fiz confusão com os endereços), quanto com a S., que chegou e não me encontrou. Olhando agora com mais cuidado eu vejo que esse tipo de situação é muito "típico da Daniela".

- Depois de me desculpar, eu procurei relaxar. Nós ficamos conversando e tomando vinho até de madrugada com o A. Em alguns momentos, principalmente no começo, eu percebia que eu entrava numa espécie de "modus infantil" e falava como um bebê, principalmente com a S. - e dava risada com uma adolescente. Eu agora sei que eu agi assim porque eu estava inconscientemente desconfortável por não ter sido clara nem com os "anfitriões", que de sopetão foram obrigados a abrir as portas da sua casa para meus convidados e nem com os meus convidados. Quando aceitei a frustração gerada por esse fato, então consegui reencontrar o meu centro e relaxar. E as coisas aconteceram com mais naturalidade.

- a saída para M. foi atribulada. Eu queria dar atenção para todas as pessoas ao mesmo tempo. Por isso demorei mais do que devia nas despedidas (principalmente da S. e do A.) e cheguei 15 minutos atrasada para o almoço que tinha combinado com a T.U. e a O. Elas estavam visivelmente irritadas com meu atraso. Eu não me incomodei com as reclamações delas... mas percebi que estava completamente fora do meu centro, como se não estivesse nem presente. Depois do almoço foi uma correria: a T.U. teve dificuldades de tirar o carro da garagem, eu tive dificuldades de pegar as minhas malas na loja e com isso tudo foi um stress para elas. Chegamos 10 minutos antes do trem partir na Bahnhof. Eu fiquei confusa entre dois pensamentos: um que dizia que eu não achava necessário criar tanto stress se o tempo era suficiente, e outro que dizia que sem o stress delas eu não teria conseguido chegar na Bahnhof com os 10 minutos de antecedência.

Depois, quando sentei no trem, eu percebi que o que me incomodou nesse stress da minha partida acima de tudo foi a minha falta de centro em governar uma situação que na verdade era apenas do meu interesse: chegar a tempo em M. para assistir o concerto do F. Eu não cheguei a tempo, pois o trem em F. teve 1 hora e meia de atraso. Lamentei ter perdido a chance de ver o F. dirigindo a 5a. de Beethoven... que pena. Por outro lado acho que é o que a vida tenta me ensinar insistentemente e eu custo a aprender: não dá para fazer e querer tudo ao mesmo tempo. Dessa maneira eu só fico exausta... eu só me desgasto.
E me sinto, me comporto e funciono como uma máquina enlouquecida.

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