quinta-feira, 17 de julho de 2008

Situação esdrúxula

Hoje, cansada de ler pela décima vez o mesmo parágrafo e tentar decifrar o que o Rittel da Planungsmethodik pretendia sugerir para a solução de problemas capciosos, eu fugi... estava difícil demais para a minha cabeça.

Abri o meu thunderbird e chequei emails. Só tinha spam. E então eu cliquei sem querer na pasta de enviados, que estava organizada por nomes. Um email antigo abriu na minha frente, de 4/4/2007. Era um email que eu tinha enviado para um cara que eu nem conheço, a fim de discutir um assunto que naquela época estava muito presente na minha vida: a minha revolta com os papéis pré-estabelecidos pela sociedade - principalmente os papéis homem e mulher. Interessante perceber que esse assunto continua atual para mim, embora de uma outra forma, com outras cores e tons.

Bom, mas a questão é que eu reli o email inteiro e fui até o google e digitei o nome do blog dessa pessoa: nao2nao1. Fiquei curiosa em saber que tipo de coisa ele estaria escrevendo hoje. Em meio a um layout confuso (antes o blog era menor e mais simples de navegar), li uma "manchete sensacionalista" que me pescou a atenção: "Post Bombástico: leitor desmascara Gustavo Gitti." Entrei e li o post. E não sei porque raios, eu achei que combinava com tal situação esdrúxula copiar o email e colá-lo nos comentários do post. Quase que mecanicamente, escrevi o meu nome, endereço de email e do meu blog (!) para poder postar o comentário... e tamanha foi a minha surpresa, ao acessar o meu blog hoje antes de dormir, ao ver que alguém tinha feito um comentário sobre o ocorrido.

Foi a primeira vez que me deparei com o fato desse blog ser público.

Eu sempre tive a tendência de subestimar a diferença que existe entre um diário que você escreve só para você e um blog que qualquer um pode ler. Eu achava que colocar os meus pensamentos mais íntimos e as minhas fraquezas na internet não seria tão difícil, pois estando concentrada em olhar para dentro e desvendar as minhas mentiras e meus condicionamentos, eu não me importaria com o que os outros iriam pensar. Agora que estou sendo confrontada com esse fato, eu me sinto completamente nua. Isso porque nenhum dos meus amigos ou conhecidos sabe da existência desse blog.

A sensação de estar aqui vulnerável, sem as minhas usuais máscaras de proteção é amedrontadora - mas ao mesmo tempo fascinante. Porque será que um simples comentário de um estranho é capaz de desencadear uma sensação tão forte? Será que o ego de alguma maneira sente-se louvado no papel de "venham e vejam, é assim que eu sou"?

Eu só posso repetir... eu continuo me comportando mecanicamente: alguém de fora vem, aperta um botão, e um tipo de emoção é desencadeada. Igualzinho a uma boneca. Eu não funciono à base de ações, como era de se esperar de um ser humano adulto... eu funciono apenas à base de reações.

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