terça-feira, 8 de julho de 2008

Um domingo agradável

Tive um bom dia de domingo: tudo aconteceu de maneira fluida, espontânea e terna. Como se fosse um presente.

Eu acordei relativamente cedo, tomei café da manhã com calma e fui para W. ouvir o concerto dos sopros, na fonte de Korbinian. O F. tinha me convidado na quarta-feira e achei que seria uma boa opção para o domingo (com a festa de 850 anos de M., F. "abriu as portas" esse fim-de-semana e houve muito eventos). Eu sempre imaginei que o poço de Korbinian era o lugar perfeito para música acústica. Tive a comprovação disto no domingo. De fato, a parede ao fundo da antiga igreja projeta o som para frente e é muito agradável o som dos instrumentos, apesar de tudo acontecer ao ar livre. As meninas estavam frias nas primeiras músicas, mas depois esquentaram. O que eu mais gostei foi me aproximar da fonte vindo pelo bosque e ouvindo o som da música por entre as árvores. Terminado o concerto eu aproveitei para ver a exposição na Salettl Haus.
Depois fui experimentar uma cerveja no Biermuseum de W. - também um lugar bonito. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de entrar lá. As paredes e as abóbadas de tijolo aparente, ainda originais, dão um calor ao lugar que simplesmente abraça o visitante assim que ele entra pela porta e desce as escadinhas. O dia estava perfeito para passear: céu azul e sol brilhando. Me senti tão completa passeando sozinha e vivenciando essa cidade tão bonita.

Quando comecei a ficar com fome, eu vim para casa. Comecei a preparar uma salada e então tive a idéia de convidar o F. para vir almoçar comigo - pois sabia que ele estaria terminando um passeio guiado pelo Domberg. No começo fiquei insegura de tomar a iniciativa de ligar para ele e fazer tal convite (pois fiquei imaginando o que ele poderia pensar de mim), mas venci os meus medos e liguei, pois era isso que eu estava com vontade de fazer. O telefone tocou três vezes. E então eu desliguei. Dez minutos depois ele me ligou de volta. Dava para ouvir na voz dele a alegria que ele ficou de ter recebido a chamada. E eu também, com um largo sorriso e um frio na barriga, com mais confiança, convidei-o para vir almoçar. Ele aceitou imediatamente. Em 10 minutos ele estava tocando a campainha. Foi um almoço muito agradável. Eu realmente gostei de tê-lo convidado e ele ficou lisonjeado com o convite. O tempo foi passando rápido e então eu disse para ele que gostaria de participar do passeio guiado ao OG, que estava sendo inaugurado depois de dois anos de reforma e começaria às 15 horas. Nos despedimos, mas combinamos de nos encontrar duas horas mais tarde para um sorvete. Ele disse que gostaria muito de me agradecer o almoço me convidando para uma sobremesa.

As explicações do Prof. sobre o jardim foram interessantes, mas acima de tudo, o que me chamou atenção foi o entusiamo e o envolvimento com que o Prof. descreveu o processo de planejamento e a reforma dos jardins. Ele falou muito em paciência, em planejamento a longo prazo (coisa da ordem de 30 anos, como foi o caso do projeto para o Castelo Nymphenburg), em perseverança e em ter que lidar com a cobrança por resultados imediatos sem ter muitos recursos. Eu gostei muito desse professor (inclusive hoje encontrei-o na Mensa e elogiei pessoalmente a sua palestra sobre o OG), que com muita franqueza contou sobre os bastidores da reforma do jardim. Tinha feito algumas anotações sobre o lugar pela manhã e no tour guiado tive a confirmação de que muitos conceitos que foram concebidos pelos arquitetos podiam ser lidos por mim na análise que eu fiz do espaço. Outras coisas eu não entendi exatamente porque fizeram daquela forma... Eu vou escrever sobre isso no meu outro blog.

Depois de uma hora de tour, eu desci o morro apressada, debaixo de uma garoa fina, pois não queria chegar atrasada. Estava com um sorriso no rosto, como se tivesse borboletas na barriga. Ao chegar na sorveteria, o F. já estava lá aguardando uma mesa. Nos sentamos debaixo do toldo na parte de fora e fizemos o pedido. A chuva começou a engrossar e ele abriu o guarda-chuva para nós não ficarmos ainda mais molhados. Como o guarda-chuva era pequeno, tivemos que nos aproximar para caber embaixo dele - foi tão doce. A chuva foi ficando cada vez mais forte, e a água começou a esguichar pelos lados. Nessa hora decidimos entrar e procurar uma mesa num lugar mais seco. Um dos garçons alvoroçou-se e começou a gritar para o outro "Chiude l'ombrellone, chiude l'ombrellone". A situação foi espontânea e cheia de movimento. Eu senti que eu estava mais presente que o normal. E estava simplesmente feliz. Quando eu olhei para o F. dentro da sorveteria, comecei a rir alegremente, pois seus cabelos estavam despenteados. E ele riu porque eu estava me divertindo com a aparência dele. Eu o achei tão atraente nesse momento, pois de alguma maneira ele estava sem máscaras. Imaginei que é exatamente assim que o cabelo dele deve ficar de manhã, quando ele levanta depois de uma noite de sexo. Conversamos durante todo o temporal, por mais de uma hora, e partimos. Ele para M. e eu para a casa.

Ao chegar em casa comecei a brincar com o logo da WMW. O M. me ligou me convidando para jantar. Eu fui e levei junto o computador, para mostrar-lhe o logo e ter a sua opinião. Ao abrir a porta, senti seu cheiro e uma ternura no ar, tão natural... a comida estava uma delícia e eu só pensei: "nossa, que dia agradável". E de novo, fiquei feliz. Abertamente feliz.

Depois de brincar com o logo e discutir com ele como poderíamos melhorá-lo, fui dormir cansada e satisfeita. Não queria sexo, só queria deitar perto dele e dormir.

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